Desde 2003 que converso com minha mãe através da internet. Desde esse ano que ela mora noutro país. Passei 4 anos sem poder vê-la pessoalmente e sempre precisava ir numa lunhouse pra fazer uma chamada no MSN. Depois dos smartphones e aplicativos de mensagens instantâneas Td mudou. Pra falar com ela Td ficou facilitado, ela é uma pessoa que consigo manter conexão através da internet, me ajuda a estar “mais perto” já que ela está do outro lado do oceano. …


Ansiedade. Me vejo olhando o celular várias vezes, em um frenético tic nervoso de insta-tele-insta-tele-GRAM. Não sei como evitar, só sei q acontece. A sensação de estar com pessoas e não estar com elas. A fria sensação de uma presença inexistente que me congela e trinca por dentro. Me sufoca e paralisa o corpo. Me mantém parada com a mente a mil por segundo. E deito na rede, na cama, não descanso. Olheiras que crescem e busco, além do meu conforto domiciliar, vidas irreais em dias reais nas horas que não vejo passar. Me permito aqui e agora viver um…


Tia Núbia. Irmã da minha mãe, muitas histórias eu tenho com ela. Quando criança ela morou conosco por um tempo, e eu gostava muito de ter ela por perto. Quando ela se mudou eu sempre ia visitá-la. Seu primeiro filho, Matheus, era sempre muito agradado por ela, quase todos os dias ele recebia um kinderovo e quando eu chegava lá na casa deles, me satisfazia com os minibrinquedos que Tia Núbia colecionava. …


Há algumas semanas atrás fui a Quintururé. Um lugar no meio do mato, entre Riachuelo e as Furnas, interior do RN. Lá meus bisavós – Paraibanos – criaram a família da minha avó materna. Meu tio ficou muito feliz ao rever os lajedos de sua infância. Essa passagem na minha vida me fez refletir o modo de vida de duas gerações atrás. Um menino-homem que vi no meu tio de 65 anos, satisfeito em encontrar um lugar “seu” e de sua memória, um lugar rico de natureza, cheio de energia imaterial e de amor. Foi incrível poder conhecer um pedaço da história dos meus ancestrais e saber que aquilo está em mim também. Nessas horas eu agradeço muito por estar ali!


Sempre me olho no espelho pra me entender quem eu sou. Vejo nos meus olhos o que carrego comigo. Olho lá no fundo de mim mesma e fico observando e pensando “o que se passa nessa cabeça?” Parece meio estranho, mas sempre fui assim mesmo, artista estranha. “O que há dentro desses olhos arregalados!?” Continuo questionando. E me observo, me procuro dentro de mim, me enxergo as vezes sim as vezes não. Acho outras pessoas dentro de mim, vejo coisas que nem td mundo enxerga, entendo o que minha energia transmite ao olhar dentro de meus olhos e com os dias busco me entender, pois só assim compreendo aonde dói e aonde se constrói uma Catarina melhor.


Amanheci sem motivações, parecia q td tava andando pra trás e eu enlouquecida querendo movimentos! Qdo menos esperei, 13h14, anuncia a rádio reggae que ajuda a abafar meus inimigos poluidores sonoros. Tão desanimada que resolvi ir pro quintal. Capinei, arranquei foi muito mato e suei, suei que escorreu pela testa desviando pela sobrancelha. Arranquei mato, cortei plantas que cresciam demasiadamente, afofei a terra. Achei um embuá lindo, com listras douradas, peguei na mão. Foi meu primeiro presente do dia. Agradeci, registrei pra poder compartilhar.

Tão linda e sensível a embuá! Tão frágil e tão precisa! …


Lua nova em Áries no dia 11 desse mês. Agora o ano começou! Tantas coisas acontecem ao mesmo tempo que passo o dia dentro de casa sozinha. Pardais gritam ao amanhecer, tomam a maior parte do cantar dos outros pássaros. O carro do ovo passa milhões de vezes aqui (na realidade 5 vezes ao dia), fora o carro do queijo, da ótica, da pamonha, da pizzaria, da nota de falecimento, da missa da rua, do culto gritado, da prefeitura com notas da covid. Não aguento não, isso mexe muito com minha paz. Aqui do lado tem uma oficina e td…


Atualizando… Hj eh hj mesmo…

Lua cheia em Libra. Primeira lua cheia do novo ano astrológico.

Chapei. Sentei na área limpa. Plantas organizadas. Me alongo. O céu está magnífico e com um tom de azul espetacular. Tiro fotos. Cercas. Fios. Postes. Carros. Td, menos o céu sai na foto. Entendo e percebo a poluição que é uma cidade. Dá vontade de correr. Não saio do lugar. Penso tristemente: “nem pintar eu fui” sdds de uma preta vem à mente. Sai…


  • Dia 07.03.2021

Ontem fui pintar na rua. Foi meio estranho. Fui andando até uma praça no Alto do São Francisco – Bairro daqui de Assu. Senti uma energia de assédio desde a hora que sai de casa até a hora de voltar. Homens passando de carro devagar, me encarando, moto buzinando, e ainda um cara vindo elogiar a pintura com mais uma frase clichê “seu sorriso é lindo”!!! Ah, que bosta! Soltei as cachorras depois de ouvir “A culpa é do diabo”, não aguentei esse tipo de argumento pra dizer que foi uma coisa menos a própria pessoa.

Tirando os machismo e a forma como reajo a eles. Fiquei refletindo no caminho sobre como fazer as pessoas pensarem no que é arte. Pensei em desenhar a caixa d’água e nada melhor que uma frase pra perguntar diretamente.


  • Dia 24.02.2021

Como harmonizar a razão e a emoção?!

Catarina Catão

Artista visual em escritas figurativas dos paradoxos existenciais

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